quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

UGH

Daqui a uma semana vou voltar pra minha equipe inicial. Pedi um afastamento temporário para lidar com uma situação de assédio, que resultou na suspensão de um colega meu com quem eu estava tendo algum tipo de relacionamento. Pedi esse afastamento pois a situação que era para ser confidencial vazou e todo mundo ficou sabendo dos detalhes íntimos e isso gerou muita fofoca, teorias e comentários sem noção. Voltar para essa equipe é uma escolha meio inevitável, não posso correr dos meus problemas para sempre, né? E parte de mim acredita que pedir um afastamento definitivo seria meio que desistir e isso me faria sentir uma derrotada. Não quero dar esse gostinho para ninguém, ao mesmo tempo o ódio e rancor me consomem de uma forma que está sendo prejudicial para minha saúde mental.


Sobre esse "relacionamento"... sempre tive uma leve atração por situações caóticas, meus relacionamentos passados e experiências sexuais não me deixam mentir. O risco e o potencial para o desastre sempre fizeram meu coração bater, porque de alguma forma ou outra eu enxergo essas situações como uma forma de me auto destruir, uma forma de polarizar minhas emoções. E esse relacionamento foi apenas isso, começou com um flerte e eu deixei a coisa progredir, sempre com o pé no acelerador, sabendo que em algum momento aquilo iria dar muito errado e deu. Ele mostrou ser um canalha, agressivo e mau caráter e eu mais uma vez me vi em uma situação horrível. Gostaria de me enxergar como vítima, mas me enxergo mais como uma participante ativa no meu próprio declínio. Foram esses tipos de comportamento que me levaram até á terapia, onde descobri que sofro de transtorno de personalidade borderline e entendi um pouco mais os meus gatilhos, a minha história e a minha identidade, todos esses são temas que irei escrever sobre em algum post futuro.



J.S

FATHER'S CURSE

O meu pai é uma pessoa fora do comum, ele nunca foi um homem de muitas palavras e as poucas que ele deixava escapar não eram as mais carinhosas e confortantes. Ele nunca pediu desculpas por nenhum de seus muitos erros, ele nunca disse que me amava, e nem aos meus irmãos e pouquíssimas vezes à minha mãe. Gosto de pensar que parte do meu vazio vem disso. Já pensei em fazer terapia, já fiz terapia, já pensei em deixar tudo isso pra lá e já deixei pra lá mas nada pôde estancar o sangramento. Meu pai continua a mesma pessoa, os anos não fizeram tanto assim por ele e eu o vejo como um estranho. Nunca tivemos nenhuma conversa importante, nunca nos conhecemos. O frio ártico que sai de mim também é um pouco dele. Oscilo entre sentir o peso do mundo e não sentir nada, de alguma forma meu pai e minha mãe me ensinaram esses extremos e nesses extremos existo até hoje. 

Ás vezes imagino como me sentirei quando ele se for, imagino que vá sentir pelo pai que nunca tive e não pela pessoa que ele foi. Não vou sentir a dor de uma perda pois nunca o tive, nunca o conheci.

J.S

AUTO-IMAGEM

Não quero que minha volta a este blog seja apenas uma reconstrução do passado, não quero viver de revisitar o que já passou, não por achar que o passado não significa algo mas sim por reconhecer a importância de viver o presente e seguir em frente, independentemente do que passou, do que foi e já não é. Dito isto, vai ser  inevitável falar do passado quando tocar em alguns temas como o de hoje, pois suas raizes são tão importantes quanto os seus frutos.

Hoje eu acordei com um desânimo quase crônico, sinto que estou me arrastando desde que a semana começou, não sinto vontade nenhuma de ir trabalhar, já pensei até em pedir demissão, mesmo não podendo por ser um trabalho bom, com um salário bom, que me permite ter uma vida razoavelmente boa. E onde entra a minha auto-imagem nisso tudo? Com 13 anos desenvolvi distúrbios alimentares e isso impactou minha auto-imagem para sempre. Desde então eu me vi completamente imersa em um loop obsessivo infinito de preocupação extrema com a minha aparência. É tão extrema que eu já fiz 5 cirurgias plásticas, a última foi uma lipoescultura, que modéstia à parte ficou incrível, tão incrível que dois anos depois os resultados estão 80% intactos e estou fazendo planos de fazer uma segunda rodada de lipoescultura, e é por isso que eu não posso pedir demissão. Tenho que juntar dinheiro pra poder fazer os procedimentos que irão talvez me trazer alguma paz e conforto interno. Algumas pessoas gastam com festas, roupas, comida, carros, viagens... eu gasto com cirurgia plástica. E essa é uma das sequelas dos meus distúrbios alimentares que eu me recusei a abrir mão, e que mantenho por perto como se fosse um pet fofo e que me traz alegria. 


Não tenho planos de lidar com os meus problemas de auto-imagem de uma forma mais saudável, já tentei terapia, já tentei me amar mas minha programação não permite. Estou á espera de um milagre, uma virada de chave que no último segundo me faça um ser novo, que desfaça os nós feitos por uma vida de dores invisíveis e gritos inaudíveis. 


J.S

domingo, 14 de janeiro de 2024

MOTHER'S CURSE

 Eu acho que tinha uns 15 anos, estava no ponto mais baixo da minha jornada com a anorexia e meu ambiente familiar era horrível, meus pais eram agressivos tanto fisicamente como psicologicamente e eu estava completamente destruída. Passava a maior parte do tempo no meu quarto, deitada, pois não tinha energia alguma para fazer algo mais que isso e nem tinha liberdade para existir como indivíduo, e em um desses muitos momentos minha mãe, furiosa comigo por conta de alguma briguinha que tive com meu irmão, que era alguém que tanto minha mãe quanto meu pai protegiam e guardavam como se fosse uma pedra preciosa, disse algo que nos meus piores dias me persegue. Ela disse: "Você é um monstro, você é fria, você vai acabar sozinha."

Hoje eu tenho 27 anos e em diversos momentos enxerguei esse monstro que a minha mãe fez de mim. Oscilo entre me achar boa pessoa e uma pessoa tenebrosa, fria, sem escrúpulos e sem merecimento de nada. 

Todos os meus relacionamentos românticos deram errado e foram com homens que me maltrataram, porque eu acreditava que merecia ser punida. Minha vida até aqui foi feita de pequenas punições para remediar o erro que meus pais me fizeram crer que era eu. E por quê estou aqui escrevendo isso hoje? Vai soar patético, mas... estou me sentindo péssima porque o menino com que eu estava tentando reatar tem estado meio distante e eu não consigo parar de pensar que é algo em mim que causou isto. A gente estava bem há uns anos atrás mas eu não consegui lidar com meus sentimentos e me afastei repentinamente e sem explicação. O abandonei antes que ele pudesse fazer isso comigo. E quase dois anos depois eu mandei mensagem pra ele explicando tudo e por um breve momento parecia que tudo voltaria a estar bem e ele parecia feliz com minha volta. No ano novo ele até disse que eu não imaginava o quanto ele sentiu minha falta e disse que gostaria de me ver em breve. Eu tentei marcar algo, mas ele não tocou mais nesse assunto e eu tô deixando o tempo levar, apesar da minha impaciência latente, só que aos poucos a esperança vai desaparecendo e meus sentimentos vão ficando cada vez mais destrutivos e polarizados e eu não sei o que fazer comigo.  



J.S

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Mais um ano

Mais um ano se passou, que loucura. O tempo tem passado tão rapido que nem me dei conta que hoje fez um ano desde o meu último post. E 2024 está quase ai. Não sei ao certo o que sentir do que vivi e do que estarei vivendo daqui para a frente. Sinto o mesmo medo de sempre, mas sigo caminhando. Hoje comecei a trabalhar em um lugar novo, me mudei temporariamente pra lá pois tive uns problemas no lugar antigo (longa história) e o dia foi mais tranquilo do que eu esperava.

 O que mais... Ah, eu meio que reatei um relacionamento do passado, na verdade estou no processo de reatar e isso me deixa esperançosa e assustada, provavelmente irá me enlouquecer 😭

 Até à próxima, meu querido blog.


 J.S

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

cloudy

 Emocionalmente, hoje não está sendo um dia legal. Por mais que eu sinta que tudo mudou, eu ainda mantenho contato constante com as partes de mim que doem e quebram. Eu posso progredir, mas sempre volto para onde comecei e para a dor que me engole como um monstro faminto.

 Mas sabe o que eu acho disso? Eu acho que não importa, essa sou eu e não importa se tenho partes escuras, confusas, estilhaçadas e não tão bonitas. Continuo sendo eu. Agora o que eu temo é o medo que eu sinto em relação a algumas coisas. Não consigo soltar o medo e deixar que a sorte se encarregue do meu destino, mas posso tentar aprender e provavelmente irei...


J.S

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

don't even know where to begin

Meu último post (antes deste comeback inesperado) foi em 2015. Vivi tanta coisa de lá para cá que eu realmente não tenho noção de por onde começar, e por isso não irei tentar sequer escrever sobre de forma linear. Aos poucos tentarei escrever sobre as coisas que eu acho importante no dia.

Hoje eu achei importante falar de meu relacionamento com meus pais, e o motivo disso são os posts que eu li aqui (que estão agora arquivados). Esses posts me chocaram pois não me recordava mais de como as coisas eram, e eu meio que me sinto eternamente grata ao meu eu adolescente por ter narrado as situações que vivia em detalhes mórbidos e até com uma pitadinha de 'oversharing' 😂 E anos depois, foi esse 'oversharing' que me fez perceber o quanto tudo mudou.

A dinâmica entre eu e minha mãe não é mais brutal, incisiva e tóxica. É um relacionamento de respeito, cooperação e compreensão. A idade a acalmou, e o mesmo pode ser dito do meu pai. 

Minha interação com meu pai é "normal", se normal significar nula e indiferente.

Ele me respeita, ele não me agride mais, ele não me perturba - fica até fácil não perceber que ele está ao meu redor. 

E o meu relacionamento comigo mesma finalmente parece estar resultando. Não me abandono mais, me acolho e me protejo do mundo que já me magoou um dia. Sou forte o suficiente para lutar todas as minhas batalhas e sensível o suficiente para saber quando me recolher.

De modo geral, a minha vida está quase do jeito que eu sempre quis. E essa é a diferença que 7 anos fazem!


J.S